quarta-feira, 30 de abril de 2014

O Coração no Novo Testamento

Introdução
O Novo Testamento deve ser visto como uma progressão de toda a revelação bíblica dada no Velho Testamento. As doutrinas nascidas no Velho Testamento têm o seu ápice no Novo, de tal forma que eles se necessitam e complementam.
Como vimos anteriormente, o coração no Novo Testamento é também a sede de toda a atividade intelectual, emocional e volitiva. Vejamos alguns textos:
Atividade Intelectual do Coração: João 12.40, Atos 8.22, Mc 2.6-8.
Atividade Volitiva do Coração: Atos 11.23, Mateus 15.19
Atividade Emocional do Coração: Atos 2.26, João 14.1
O coração no Novo Testamento é visto da mesma forma que no Velho Testamento, entretanto, o que vemos é que as profecias referentes à restauração do coração humano apresentadas no Velho Testamento, no Novo são cumpridas na descida do Espírito Santo e na sua habitação no “coração do homem”.

Então, a ênfase que o Novo Testamento dá ao coração tem a ver com a obra que o Espírito Santo faz na mudança do nosso coração.
1 – O Coração Como Sede da Maldade Humana
Assim como no Velho Testamento, o Novo Testamento também apresenta o coração como a sede de toda a maldade humana.
O coração é apresentado como sendo o lugar onde os mais terríveis pecados são gerados: Mc 7.21-23. Também nos fala do fato de que os homens se tornam insensíveis à Deus por causa da dureza do seu coração: Mt 13.15; Ef. 4.17-18; Mc 16.14 e que no coração é que as intenções impuras são produzidas: Mt 5.28.
Jesus falando sobre o comportamento pecaminoso dos líderes religiosos do seu tempo, apontou o coração como a origem da maldade que se tornava conhecida pelo que eles falavam: Mt.12.34. Da mesma forma, a soberba era alimentada no coração dos homens: Lc 1.51.

2 – O Coração Como Centro do Relacionamento Com Deus
Repetindo o que vimos no Velho Testamento, o coração no Novo Testamento também é o centro do relacionamento entre Deus e o homem.
Comecemos pensando que o homem se detém de um relacionamento com Deus por causa do modo endurecido como o seu coração reage à Palavra de Deus e a Cristo: Rm 10.8-10; Lc 2.19; Lc 8.15; Jo 12.40; Jo 13.2; Rm 1.21; Rm 2.5.
3 – O coração como a sede do amor a Deus
O relacionamento com Deus deve ser de “todo o coração” (Mc 12.30-33). O que implica em um envolvido integral do homem na busca de desenvolver o amor supremo a Deus. O coração é, portanto, é a raiz religiosa do homem, onde nosso verdadeiro amor é desenvolvido (2Ts 3.5).
Assim, o coração humano é o lugar onde desenvolvemos todo o nosso amor a Deus, ele é a sede de todos os pensamentos que nos conectam com Deus, assim como de todos os sentimentos e estopins da vontade que nos conduz a cultuar, servir etc (Jo 16.22; At 4.32; 2Co 8.16; 2Co 9.7; Ef 6.6; Rm 5.5; Cl 3.23; 2Ts 3.5).
Toda a obra da igreja é desenvolvida a partir da transformação da graça ocorrida no coração dos crentes que passam a amar a Deus acima de todas as coisas e a andar conforme o seu desejo, como profetizou Ezequiel (Ez 36.26).
4 – O coração como a sede da restauração redentiva do homem
O Velho Testamento, como apresentamos anteriormente, indicou que haveria um tempo em que Deus restauraria a sua Criação, começando pelo homem em seu coração. Essa restauração prometida estava vinculada à vinda do Espírito Santo (Ez 36.26; Hb 10.16). O Novo Testamento também fala do coração como a sede da obra redentiva do homem e a enfatiza.
a) O Coração como local da habitação do Espírito Santo
O Novo Testamento destaca o coração como o local onde o Espírito Santo faz habitação e produz a influencia sobre a nossa vida (Gl 4.6; 2Co 1.22).
Em 2 Coríntios, Paulo chega a comparar os crentes do Velho Testamento com os do Novo propondo a presença do Espírito no coração como a grande diferença redencional (2Co 3.12-18).
Deus, por meio do Espírito, nos conduz a fazer a sua vontade e atender à sua palavra, alterando e movendo as inclinações do nosso coração (At 16.14).  
b) O Coração como local onde a Palavra Trabalha redencionalmente
A Palavra de Deus é sempre semeada no coração humano. A parábola do semeador revela esse importante ensino neo testamentário sobre o coração (Mt 13.19). No coração humano, como no Salmo 119.11, a Palavra produz a obra de purificação ou santificação por meio do aumento de sua influencia nas nossas estruturas intelectuais, emocionais e volitivas (Rm 10.8; 1Co 14.24-25; Cl 3.16).
A palavra opera discernindo os pensamentos e propósitos do coração (Hb 4.12), assim como provando o que realmente está no nosso coração (1Ts 2.3-4).
c) O Coração como local do desenvolvimento da fé genuína
O Evangelho opera no coração e a primeira grande mudança que ocorre é a capacidade de se crer na verdade de Deus (Rm 10.8-10). O coração é o local onde se desenvolve a nossa fé (1Pe 3.15).
  
Conclusão
Como podemos ver, o coração no novo testamento é visto da mesma forma que no velho, como sendo o ser interior do homem (1Pe 3.4). Ele como centro de toda a nossa atividade intelectual, emocional e volitiva é também visto como o centro de toda a contaminação do pecado.
No entanto, o coração, no Novo Testamento é principalmente visto como o ponto central da obra redencional de Deus para o homem, por meio do profundo trabalho transformador do Espírito Santo, sendo este o principal elementos complementador do Novo Testamento ao ensino sobre o coração na Palavra de Deus.
Podemos, a partir de agora, começar a trabalhar com as ferramentas bíblicas que nos ajudam a tratar o nosso coração a fim de que ele seja realmente aperfeiçoado no amor.

Voltaremos a vários destes textos, em seus contextos respectivos para ver como a Palavra, aplicada ao coração dos homens produzia os frutos que se deve esperar de um coração transformado pela Palavra de Cristo (Mt 13.23). 

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